A Revista Veja protagonizou, em 23 de outubro de 2014, um dos maiores vexames de sua história. Frequentemente citada por eleitores PSDBistas como fonte confiável de informação, disponibilizou com antecedência a capa de sua edição de 25 de outubro, em que supostamente revelava que Alberto Yousseff, em depoimento à Polícia Federal, havia declarado que Lula e Dilma estavam cientes do desvio de dinheiro da Petrobrás.

A farsa, porém, não durou 24 horas. Às 23:00 horas de 23 de outubro, mesmo dia em que a revista disponibilizou a capa de sua próxima edição, a reportagem foi desmentida pelo Jornal O Globo, que traz as seguintes declarações do advogado de Yousseff:
“Eu nunca ouvi nada que confirmasse isso (que Lula e Dilma sabiam do esquema de corrupção na Petrobras). Não conheço esse depoimento, não conheço o teor dele. Estou surpreso” (O Globo, 23/10/2014).
Um pouco mais à frente no texto de O Globo, Antônio Figueiredo Basto conclui:
“Conversei com todos da minha equipe e nenhum fala isso. Estamos perplexos e desconhecemos o que está acontecendo. É preciso ter cuidado porque está havendo muita especulação” (O Globo, 23/10/2014).
A mesma reportagem de O Globo traz outros trechos da fala do advogado em que ele afirma que não pode se manifestar sobre o que foi falado em depoimento, ponto em que a Revista Veja apoia sua defesa. Explorando este argumento, o folhetim semanal publicou hoje uma nova entrevista com Basto em que ele já não manifesta a mesma perplexidade e surpresa explicitada antes, mas em lugar disso, diz apenas que não concorda com o vazamento dos depoimentos:
“Sobre a reportagem, o que eu disse é que não concordo com o vazamento dos depoimentos.” (Veja, 24/10/2014).
Mais adiante, afirma:
“Eu não posso desmentir um fato sobre o qual não posso me manifestar.”
De fato, não é possível saber do que ocorreu entre as duas entrevistas concedidas pelo advogado para que ele mudasse o próprio posicionamento, mas é possível comparar suas falas. No primeiro momento ele é claro ao dizer que “(..) nunca ouvi nada que confirmasse isso” e “ (...) conversei com todos da minha equipe e nenhum fala isso. Estamos perplexos e desconhecemos o que está acontecendo”. No segundo momento, após a enorme repercussão de seus dizeres, volta atrás. Alega que “(...) o que eu disse é que não concordo com o vazamento dos depoimentos” e “não posso desmentir um fato sobre o qual não posso me manifestar” – ainda que já tenha desmentido e, talvez só depois, tenha se dado conta.